domingo, 4 de abril de 2010

SEMINARIO INTEGRADOR

Estágio Curricular. Dúvida? Incerteza? Ansiedade? Temor?Certeza?
Para mim esta ultima palavra retrata todo meu sentimento neste momento final de uma trajetória que abriu muitos horizontes, muitas amizades surgiram, muitos conhecimentos e agora o ponto culminante, o momento de aplicarmos e justificarmos tudo aquilo que aprendemos ou relembramos durante os semestres anteriores.
Didática, sempre foi didática, desde os anos sessenta quando acabei o magistério, algumas alterações surgiram, muitas mudanças na educação, mas o princípio básico de que o professor que deseja realizar uma boa atuação docente deve elaborar e organizar planos em diferentes níveis de complexidade, estimulando a participação do aluno, afim de que possa realmente efetuar um aprendizagem significativa prevalece até hoje. A responsabilidade do mestre é a mesma. Grande parte da eficácia do trabalho do professor depende da organicidade, coerência e flexibilidade do seu planejamento.
Durante o curso, muito aprendi sobre tecnologia, suas vantagens e facilidades na realização de atividades e na aprendizagem do aluno. Nossa realidade é bem outra, nem a escola e nem os alunos em sua quase totalidade tem acesso a Internet, por não dispor de computadores.
Estou relendo o material oferecido pelo Pead, pesquisando em livros didáticos e junto a colegas professores, formas a fim de organizar atividades referentes ao nível da turma que vou estagiar, buscando atender a cada aluno em sua individualidade, mesmo que isso implique em adaptá-las ou reestrutura-las.
Espero, com calma, dedicação e muito esforço conseguir transmitir a meus alunos os conhecimentos e habilidades adquiridas durante quarenta anos de magistério, enriquecidas com o potencial adquirido neste período letivo junto ao Pead.
Procurarei não me desviar da linha que venho seguindo, apenas aperfeiçoa-la, meu trabalho democrático, onde o aluno é o centro do interesse, expondo idéias, dúvidas e certezas, são o alicerce para que desenvolva meu trabalho com eficácia e qualidade, fazendo a diferença na escola.
Apesar da deficiência de espaço físico na escola, da falta de disponibilidade de matéria didático e pedagógico, não me abaterei, continuarei como fiz a vida inteira, improvisando, reaproveitando, criando, usando conhecimentos prévios, meus, dos alunos e dos pais, pois é partir desta parceria que minhas aulas se tornam produtivas e prazerosas.
Pretendo enfocar uma pratica diversificada, através de diferentes atividades flexíveis e adaptáveis a realidade, experiência e desenvolvimento da turma.
No meu ponto de vista, o estágio não será uma situação nova, apenas diferente forma de fazer o registro. Venho a cada dia, a partir do ingresso junto ao Pead, procurando aprimorar meus conhecimentos, incluindo-os na minha pratica pedagógica, faço muita leitura, do material oferecido pela UFRGS, livros de escritores sugeridos, trabalhos e portifólios de colegas, buscando resolver minhas dúvidas ou confirmar minhas certezas.
Assusta-me apenas a tecnologia, as ferramentas usadas na postagem dos trabalhos. Isto poderá prejudicar minha pontualidade nas postagens.

quarta-feira, 31 de março de 2010

SEMINARIO INTEGRADOR

Início de ano. Mais um período de expectativa, ansiedade angustia, mas, sobretudo vontade vencer.
Primeira aula presencial, preocupação. O que seria tratado?
Como seriam as exigências do estágio?
A aula transcorreu num clima de serenidade. As professoras foram felizes e eficientes em suas colocações, expuseram de tal forma as atividades que me senti motivada a iniciar logo o estágio.
Hoje, conversando com colegas do meu município, vejo que não é só minha a dificuldade na área tecnológica. Estamos enfrentando grandes dificuldades em trabalhar com as ferramentas solicitadas e por estarmos tão distantes do pólo e dependermos de transporte escolar é difícil o nosso comparecimento. Anotei todas as palavras das professoras, prestei o máximo de atenção, mas mesmo assim não estou conseguindo realizar meu trabalho com segurança.

segunda-feira, 29 de março de 2010

SEMINARIO INTEGRADOR

Como primeira postagem no meu portifólio no corrente ano, sinto necessidade de narrar um fato ocorrido na escola onde desenvolvo minhas atividades docentes.
Estava na sala dos professores e pude presenciar o diálogo entre professora titular da turma Y, equipe diretiva da escola e membros da APAE.
Justificava a professora que seu aluno “Bobi” deveria freqüentar classe especial, pois era surdo e não sendo usuário constante e fluente da língua escrita, não conseguia conviver socialmente, estava ficando marginalizado, apresentando dificuldade de comunicação com os colegas e com a própria, julgava-o menos capaz que os outros alunos.
O assunto continuava porem tocou o sinal e fui para a sala onde minha turma aguardava a por mim.
Seria justo o que estava sendo decidido? Ser surdo realmente significa ser menos capaz? “Bobi” por vários dias ocupou meu pensamento. Procurava uma forma de poder ajudá-lo sem que para isso fosse preciso separá-lo dos colegas, tendo que enfrentar um ambiente totalmente novo ou, quem sabe um atendimento paralelo poderia trazer melhores resultados.
Sabemos que a tentativa de fazer os surdos falar não apresentou grandes avanços, apesar de continuarmos insistindo em desenvolver neles a capacidade de compreender nossa língua oral e por ela se comunicar.
Baseada nos conhecimentos adquiridos na disciplina de LIBRAS, na vivência que tenho junto a uma sobrinha surda e ainda na experiência vivenciada quando alfabetizei uma aluna surda, não pude calar. Conversei com a titular da turma de “Bobi”, falei sobre a Língua Brasileira de Sinais, destacando que através dela seria possível desenvolver o centro cerebral da linguagem, ou seja, haveria possibilidades de desenvolvimento cognitivo, afetivo e emocional, tornando-o uma pessoa idêntica às ouvintes.
Continuaram as conversações e agora por decisão da professora, da direção, juntamente com especialistas da APAE, os pais de “Bobi” foram conscientizados de que tem um filho normal, inteligente e criativo, porem fala outra língua e que será encaminhado para acompanhamento junto a APAE.
Graças à sensibilidade da professora e o apoio dos pais e profissionais, “Bobi” aos 13 anos de idade entra em contato com a língua dos sinais. Com certeza encontrará dificuldades maiores em aprender, pois o instrumento cerebral da linguagem já foi afetado, mas é possível dentro de seu limite aprender alguma coisa. “Bobo” tem acompanhamento de especialista e no turno inverso freqüenta classe do ensino regular.
Na escola, os colegas se interessaram pela língua de sinais, a professora de LIBRAS oferece subsídios para a professora, como alfabeto, e “Bobi” vive uma vida normal junto a turma regular.
“De início se recusava a usar sinais, justificando que ninguém o entendia, mas hoje venceu o preconceito, se comunica” normalmente”, compreende, é compreendido e amado pelos colegas e professores e demonstra o desejo de se tornar médico.
Nesta minha intervenção e por que não dizer vitória, vejo o quanto aprendi na disciplina de LIBRAS e na minha experiência de 41 anos de magistério.
“A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem”. (Paulo Freire).

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL - E


Sabemos que a maioria dos jovens e adultos que freqüentam classes da EJA, são pessoas que sofreram algum tipo de discriminação, exclusão escolar na infância e ou na adolescência. São alunos trabalhadores e, muitas vezes começaram a trabalhar ainda quando eram crianças, pela necessidade de auxiliar na renda familiar.
São pessoas letradas, devido as funções diferenciadas que ocuparam, bem como auxiliadas pelo contato que as relações pessoais lhes proporcionaram ou então pela aprendizagem via escola ou treinamento destas funções.
Com base nestes conhecimentos, onde os educandos buscam resgatar sua dignidade, sua autonomia, e sua auto-estima, como educadores somos desafiados a lançar um olhar diferenciado em relação ao que temos com as crianças e adolescentes. Segundo Marta Kohl de Oliveira, os jovens e os adultos carregam consigo uma bagagem de conhecimentos acumulados, de experiências de vida, apresentando diferentes tipos de habilidades e muito maior capacidade de reflexão sobre conhecimentos e seus próprios processos de aprendizagem.
Um dos pontos que a autora chama a atenção e que concordo plenamente é quanto a capacitação do professor, a adequação da escola, currículos, programas e métodos de ensino para EJA. Enquanto estes itens não forem diferenciados dos empregados com crianças, continuará o alto índice de evasão e repetência , pela falta de sintonia entre o ambiente escolar e o aluno.
É uma humilhação para um jovem ou adulto ter de estudar como se fosse criança, renunciando a tudo o que a vida lhe ensinou. É preciso que este aluno seja respeitado ,utilizando-se métodos apropriados, resgatando a importância de sua biografia.
Estes alunos já foram desrespeitados uma vez quando tiveram negado seu direito a educação., portanto, quando decidem retomar sua instrução não é justo que sejam humilhados mais uma vez, por metodologia que lhes nega o direito a resgatar sua história , a afirmação de sua identidade e sua cultura.
Mareta kohl ( PROFA, 2000) diz que “ o adulto tem conhecimento acumulado, tem uma relação com o mundo que é muito mais sofisticada do que a das crianças. Não é sofisticada em termos de escolares, mas é em termos de desenvolvimento humano . A escola precisa estar ajustada a esta cabeça adulta”.
Enfatizo também a necessidade de um educador bem formado, capaz de ouvir, argumentar, mas permitir que o educando se torne um cidadão crítico e determinado, com vez e voz.
.Freire criticava o conhecimento bancário, por definir que ao educador não cabe nenhum outro papel que não o de disciplinar a entrada do mundo nos educandos. Seu trabalho será também o de imitar o mundo. O de” encher” os educandos de conteúdos. Ainda Freire, afirmava que educandos e educadores são sujeitos ativos na pratica educativa, e que mesmo os analfabetos fazem cultura sem nunca terem ido a escola tanto quanto os que por ela passaram.

domingo, 25 de outubro de 2009

LINGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS - EAD - E

Quando iniciei minha carreira profissional como professora,, tinha uma resistência muito forte quanto a receber em sala de aula aluno com deficiência auditiva. Minha primeira experiência foi em 1980, quando trabalhando em escola unidocente fui desafiada a alfabetizar uma aluna surda. Esta aluna emitia sons, mas era totalmente surda. Parti para o reconhecimento e o registro dos “sinais caseiros”, considerando-os como um elemento cultural, pois deixava transparecer a cultura do grupo social onde a aluna estava inserida, apresentando sua identidade através de marcas de expressão oral ou não.
A cada dia sentia necessidade de sistematizar e incorporar os gestos criados pela família e ou grupo social, legitimando essa forma de comunicação, de modo a permitir a comunicação entre os integrantes da comunidade escolar.
As pessoas que não escutam, não podem ser consideradas mudas, pois emitem sons.
A pessoa surda consegue se comunicar normalmente pela língua brasileira de sinais (LIBRAS), que não é mímica, mas sim uma língua natural, gestual e visual, com expressão não só facial como corporal permitindo a expressão de idéias, sentimentos e emoções. Através de vivência familiar com pessoa surda, passei a perceber que os portadores de surdez tem direitos e deveres iguais aos ditos “normais”, apenas desenvolvem potencialidades psicológicas e culturais próprias.
Observando minha sobrinha, uma menina com nove anos de idade, portadora de deficiência auditiva,percebo a capacidade de comunicação pela língua de sinais, a facilidade em formular raciocínio lógico, a habilidade em criar, o equilíbrio e o ritmo, concluindo que a surdez não a impossibilita de desenvolver suas potencialidades.
No caso, se tivermos alguém que interprete a língua de sinais, a comunicação se torna bem mais fluente e aperfeiçoada,porem quando não há interprete, é indispensável o contato visual, para já a leitura labial.




LINGUAGEM E EDUCAÇÃO - E

Vejo o espaço escolar como sendo o espaço de sala de aula, onde professor e aluno interagem num mesmo processo de ensino-aprendizagem.
Sabemos que o aluno ao chegar à escola, traz consigo uma bagagem de conhecimentos, uma cultura social adquirida com a família e com o contexto social onde convive, portanto sendo um ser letrado. Os conhecimentos adquiridos sem que haja contato com a língua escrita, precisa ser diagnosticado, valorizado e explorado pelo professor. É indispensável que o educador busque conhecer a realidade de cada aluno, seus conhecimentos, hábitos, atitudes e capacidade para então procurar alfabetizá-lo, não apenas ensinando a codificar e decodificar mensagens, mas envolvendo a escrita em situações sociais.
Muitas vezes deixamos esvaziar o currículo do letramento social, fazendo uso quase que exclusivo da alfabetização como sendo um processo de aquisição de códigos, letras e números. Alfabetização e letramento, embora sendo distintos, são interdependentes e indissociáveis, assim a alfabetização só tem sentido quando desenvolvida em um contexto de praticas sociais de leitura e escrita, ou seja, num contexto de letramento.
Exigimos que nosso aluno se aproprie de determinado conhecimento para assim ser valorizado e obter êxito na escola. Nós, quanto educadores, somos responsáveis pelo desenvolvimento ou não do senso critico do aluno, adquirido através do letramento social, portanto cabe a nós a tarefa de incentivar nosso aluno a exercer tarefas com responsabilidade, participando de atividades em casa ou na escola, para que assim construam suas próprias aprendizagens.
Para que a escola realmente esteja envolvida com o “ letramento social”, é preciso que admita a pluralidade das práticas letradas, dando valor ao seu significado cultural e ao contexto de produção.
Paulo Freire protestava contra” a alfabetização puramente mecânica” e advogava uma “alfabetização direta e realmente ligada a democratização da cultura” (1975,p.104).

DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO - E

Ao repensar as marcas que as praticas pedagógicas deixaram em minha vida profissional, no decorrer destes quarenta anos de magistério, sem incluir minha vida como estudante, descobri que muitos de meus atos, minhas idéias, minhas marcas foram herdadas e adquiridas. Digo isto, porque hoje compreendo que muito do que faço é apenas uma continuação do que aprendi desde o primário e que marcaram minha vida. Cito como exemplo a hora do conto, onde nós crianças tínhamos a oportunidade e o direito de relatar histórias reais e ou imaginárias. Tenho como marca visível em minha sala, o respeito pelo aluno, por suas limitações, suas dúvidas, medos e anseios, isto é resultado do tempo de primário, quando eu aluna da 4ª série entrava em pânico quando precisa ir ao quadro fazer qualquer tarefa.
A professora, com respeito e bondade tentava me incentivar dizendo que eu lia bem, escrevia corretamente, que não precisava ficar nervosa. O que ela não percebia era que eu vinha de uma família muito pobre, nunca notou que eu vinha descalça motivo pelo qual me negava a ir diante da turma.
Cito isto apenas para frisar o quanto nós educadores temos o dever de conhecer a realidade do aluno para oferecer um atendimento individualizado. A cultura da minha família era diferente das demais, não tínhamos luz elétrica, como saberíamos discutir novela ou futebol que os demais ouviam no rádio? Eu, como muitos de nossos alunos ficava “”a margem”, isto me machucava muito, prejudicava minha aprendizagem , não conseguia me comunicar, me sentia ridicularizada.
Acredito que foram estes desafios que despertaram minha vontade de vencer, meu interesse pelo magistério, onde posso contribuir para o desenvolvimento integral do aluno.
A partir da primeira atividade “o menininho” de Helen Buckley, pude fazer uma análise do quanto nós professores influenciamos positiva ou negativamente na vida de nossos alunos. Percebo que os ensinamentos de hoje, muito tem a ver com os ensinamentos de Comênio (1592). Cito o respeito, à capacidade de compreensão do aluno, a pratica de motivação, o incentivo à pratica do aluno solidário, o relacionamento harmonioso entre discentes e docentes.