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terça-feira, 12 de maio de 2009

QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS NA EDUCAÇÃO

Após realizar a entrevista com alunos negros, preocupei-me com a colocação relativa a alguns de seus ex-colegas que evadiam ou reprovavam, sendo acusada a discriminação como causa principal. Procurei me apropriar do assunto, buscando leituras informativas e descobri que o rendimento do aluno negro no Ensino Básico caiu entre 1995 e 2001, segundo levantamento feito pelo Inep, baseado em dados do Sistema Nacional da Educação Básica.
Os fatores apresentados como responsáveis pelo baixo aproveitamento escolar dos afro-descendentes, são as más condições sócio econômicas em que vivem, como moradia precária, alimentação inadequada e baixa escolaridade da família, porem prevalece a questão do preconceito racial, prática difusa perpetrada pela sociedade.
Sabemos que em todas as escolas do Brasil, a discriminação racial é altamente considerada, embora fique disfarçado no mito da “democracia racial”.
È bem verdade que toda criança aprende, independente da raça, cor ou religião, basta
considerar os conhecimentos prévios, conhecer a realidade de cada criança e respeitar sua individualidade.
Como citou um dos entrevistados, o baixo rendimento do aluno negro, ou sua evasão se dá pela ausência de temas relacionados a população afro-descendentes nos currículos escolares.
Nós professores além de não termos uma qualificação adequada com ênfase nas questões étnicas e culturais, mesmo tentando pesquisar textos ,buscando incentivar nossos alunos, encontramos apenas leituras voltadas para a cultura eurocêntrica .
Se a cultura negra tanto contribuiu para a cultura brasileira, está mais do que na hora de colocarmos em pratica a lei 10.639/2003 e incluir no currículo do Ensino Médio a obrigatoriedade da temática Historia e Cultura Afro- Brasileira.
Com professores capacitados, e currículo incluído, com certeza saberemos respeitar e valorizar o aluno negro, tendo assim uma sala de aula democrática e uma educação de qualidade.

QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS NA EDUCAÇÃO

A lei 10.639/2003, abre espaço para que o negro seja incluído nas propostas curriculares, como sujeito histórico. O brasileiro, de um modo geral quase nada sabe a respeito da história e cultura afro-descendente, tendo ainda muito preconceito. Trabalhamos em nossas escolas a Libertação dos escravos, lembrando a entrada do negro no Brasil como escravo, vendido como mercadoria. Em nossos cartazes geralmente é exibida a imagem do negro seminu, descalço, selvagem, massacrado pelo branco.
Esta maneira de trabalhar o tema, leva crianças e adolescentes afro-descendentes a se sentirem revoltados, inferiorizados, podendo acarretar danos morais e psicológicos, influenciando em sua aprendizagem, freqüência e permanência na escola, visto que o racismo, o preconceito e a discriminação são os principais malefícios ocorridos na escola e na sociedade.
Sabemos que tratar a temática do negro no currículo escolar não é privilegio do professor negro , de ter conhecimento ou não do tema, mas é a lei que dá este caráter obrigatório para todo o magistério.
È urgente a necessidade de ter-se professores capacitados e preparados para que venha a cumprir a lei acima citada.
Precisamos despertar no nosso aluno o olhar crítico, para que a luz dos ensinamentos transmitidos pela escola, vejam a história do africano livre, dono de sua vida, com sua cultura própria, recuperando a auto estima. Com conhecimento e aceitação dos valores culturais, estaremos facilitando as trocas interculturais na escola e na sociedade.